MATÉRIA PUBLICADA DIA 27 DE JUNHO DE 2008

O PREÇO DAS NORMAS


Lá pela déca da de 60 praticamente existiam dois tipos de empresas, as grandes e as outras,
principalmente na indústria automobilística em São Paulo. Devido à necessidade
dessas grandes empresas e o espírito empreendedor de funcionários delas, começaram a
aparecer pequenas empresas de garagem, às vezes somente com uma ou
duas máquinas, que mais tarde vieram a se tornar médias empresas com uma significância
alta para o sistema da mecânica automobilística. Estas pequenas empresas para
acompanhar as exigências das grandes foram obrigadas a cada vez mais a se
profissionalizarem, principalmente com relação ao atendimento de normas internas
dessas grandes empresas, normas nacionais e internacionais. Norma técnica
pode-se considerar como um documento redigido por produtores, consumidores
e outros interessados e publicados pela ABNT. Este processo continua até hoje,
como exemplo podese indicar ISO 9001, TS, normas que os produtos devem
atender (às vezes várias para um único produto). Até aqui, tudo normal,
precisa-se produzir mais rápido, mais barato e no mínimo dentro das normas
especificadas. Na minha opinião, o problema mais grave, é a aquisição destas normas por
pequenas e micro empresas, além do seu atendimento. Já ouvi falar de empresas grandes
que tem cerca de 9000 procedimentos internos a serem cumpridos, considerando
um chute de 400 normas para as pequenas empresas e um chute de R$ 70,00 por norma teremos
um investimento de cerca de R$ 28000,00 em normas.
Existem normas que custam R$ 100,00, R$ 200,00. Acredito também que esta necessidade
é bem real para a área de construção civil, muitas vezes precisei consultar normas que simplesmente
achava cara demais, apesar do conceito de caro poder ser discutido, talvez seja melhor dizer
custo de compra e atendimento da norma x retorno financeiro com preços de mercado.
A não participação na elaboração das mesmas, devido à impossibilidade de enviar profissionais
para desenvolvimento também é um fator negativo para as pequenas, sempre terão de seguir
o que foi desenvolvido sem sua participação. Apesar da existência de entidades
que tentam minimizar este problema, a realidade é que as normas ainda estão
distantes das micro e pequenas empresas com raras exceções.
O resultado é que muitos produtos saem das empresas não conforme devido
à falta de análise das exigências. Considerando que uma norma é uma exigência mínima
(melhor do que a norma pode e deve) e o objetivo, já de alguns anos, é encantar
o cliente, se imagina que devemos atender ao cliente além do que as normas
pedem, mas primeiro precisamos ter condições de adquirir e desenvolver, e
essa não é uma tarefa fácil.


Paulo Gonçalves dos Santos
Engenheiro de Planejamento

 

 

   
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