MATÉRIA PUBLICADA DIA 21 DE NOVEMBRO DE 2008

PROCEDIMENTO PARA ESTIMULAR A CAPACIDADE DE PERCOLAÇÃO DE SOLO PARA SEMIDOUROS

Sendo o sumi-douro uma unidade de infiltração vertical, que atravessa freqüentemente algumas camadas de solos com características distintas. Assim sendo, o ensaio para estimar a capacidade de infiltração no solo deve ser feito por camada, desde que estas camadas sejam consideradas áreas infiltrativas no sumidouro, ou seja, abaixo da tubulação de entrada do esgoto. O valor final da taxa de percolação dever ser obtido
fazendo a média ponderada destes valores. A cota do fundo da cava para ensaio deve ser aproximadamente
a mesma do sumidouro, sendo que esta é deter-minada a partir da distância mínima da cota máxima do aqüífero local e da ota de saída da tubulação do tanque séptico. Quando for feito ensaio sobre várias camadas, o resultado da cada cava é obtido como segue: Kmédio = (KixHi) / (Hi) onde, K e H são respectivamente, as taxas e altura das camadas onde foram realizados os ensaios. O ensaio deve ser feito cuidadosamente, visto que conforme o modo de execução poderá ser alcançado valor bastante
distinto para um mesmo tipo de solo. A época de execução do ensaio é também fator que influencia
nos resultados. O ensaio deve ser precedido de uma etapa preliminar para simular a condição de solo saturado (condição crítica no sistema de absorção). Apesar da imprecisão, este ensaio é o mais simples que se conhece e, desde que seja utilizado em conjunto com os ensaios de tato e visual do solo, pode ser instrumento útil para avaliação da capacidade de infiltração do solo. O nível máximo do aqüífero na área prevista deve ser conhecido antecipadamente. Os instrumentos necessários para se proceder ao ensaio
são os seguintes: relógio, cronômetro, régua, trado com DN= 150mm, dispositivo para medição do nível de água na cava, água em abundância. Os procedimentos a serem seguidos são os seguintes:
a) o número de locais de ensaio deve ser no mínimo 3 pontos, distribuídos aproximada-mente de modo a cobrir áreas iguais no local indicado para campo de in-filtração;
b) com o trado de DN 150mm, escavar uma cava vertical, de modo que o fundo da cava esteja aproximada-mente no mesmo nível previsto para o fundo do sumi-douro;
c) retirar os materiais soltos no fundo da cava e cobrir o fundo com cerca de 0,05 m de brita;
d) encher a cava com água até a profundidade de 0,30 m do fundo e manter esta altura durante pelo menos 4 h, completando com água na medida em que desce o nível. Este período deve ser prologado para 12 h ou mais se o solo for argiloso; constitui uma etapa preliminar para saturação do solo;
e) se toda água inicialmente colocada infiltrar no solo em 10 min, pode-se começar o ensaio imediatamente;
f) exceto para solo arenoso, o ensaio de percolação não deve ser feito 30 h após o início da etapa de saturação do solo;
g) determinar a taxa de percolação como a seguir: - colocar 0,15 m de água na cava acima da brita, cuidandose para que durante todo o ensaio, não seja permitido que o nível da água supere 0,15 m;
- imediatamente após o enchimento, determinar o abaixamento do nível d' água na cava a cada 30 min (queda do nível) e, após cada determinação, colocar mais água para retornar ao nível de 0,15 m;
- o ensaio prosseguirá até que se obtenha diferença de rebaixamento dos níveis entre as duas determinações sucessivas inferior a 0,015 m, em pelo menos três medições necessariamente;
- no solo arenoso, quando a água co-locada se infiltra no período inferior a 30 min, o intervalo entre as leituras deve ser reduzido para 10 min, durante 1h h; assim sendo, nesse caso, o valor da queda a ser utilizada é aquele da última leitura;
h) calcular a taxa de percolação para cada cava escavada, a partir dos valores apurados, dividindo-se o intervalo de tempo entre determinações pelo rebaixamento lido na última determinação. Por exemplo: se o intervalo utilizado é de 30 min e o desnível apurado é de 0,03 m, tem-se a taxa de percolação de 30/0,03
= 1.000min /m;
i) o valor médio da taxa de percolação da área é obtido calculando-se a média aritmética dos valores das cavas;
j) o valor real utilizado no cálculo da área necessária do sumidouro deve ser o especificado na tabela A-1 da norma NBR 13969/ 1997, da qual foi extraído este texto.
k) Obtém-se o valor da área total necessária para área de infiltração dividindo-se o volume total diário estimado de esgoto (m³/ dia) pela taxa máxima de aplicação diária.


Félix Walter Germer Júnior
Engenheiro Civil

 

   
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