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MATÉRIA PUBLICADA
DIA 15 DE FEVEREIRO DE 2008
ENERGIA
ELÉTRICA - CONTA DE LUZ, UMA VISÃO GERAL
Energia
é a propriedade de um sistema que lhe permite realizar trabalho.
Existem várias formas disponíveis na natureza e normalmente
elas são conversíveis entre si. Podemos identificar como
formas de energia a potencial, elétrica, química, calorífica,
cinética, nuclear, radiante.
GERAÇÃO - para obtenção da energia elétrica,
principalmente nos países como o nosso em que existem muitos rios
e desníveis entre os mesmos, a forma mais importante é a
geração através da energia potencial da água
(cerca de 75% do total da capacidade instalada). Uma outra forma de geração
é através das termoelétricas que utilizam combustíveis
fósseis (como o petróleo, carvão mineral, etc.),
não fósseis (como a madeira, bagaço de cana, etc.),
nucleares (como o urânio).
Para a geração é necessária uma turbina (hidráulica
ou térmica) e de um gerador montados no mesmo eixo, por exemplo:
a passagem da água por um desnível gira uma turbina (através
das pás) e um gerador fixado no mesmo eixo produz a eletricidade.
TRANSMISSÃO significa o transporte da energia elétrica
até os centros consumidores. Como existem perdas no transporte,
e às vezes, da produção ao uso temos centenas de
Km de distância, normalmente se faz ao lado da geradora uma estação
elevadora que tem a função de elevar a voltagem (milhares
de volts) com valores padronizados de acordo com a distância ao
centro consumidor e a potência.
DISTRIBUIÇÃO ocorre já nas regiões de utilização
como cidades, bairros, indústrias, onde temos a tensão abaixada
de milhares de volts para a tensão necessária (normalmente
380/220 volts, 220/127 volts). Para esta terceira fase podemos ter subestações
abaixadoras, postes, fios, transformadores, etc. que compõe o sistema.
UTILIZAÇÃO é medida pelo relógio para as
residências, indústrias e outros consumidores.
Como
o monopólio no setor elétrico está se transformando
em um modelo de mercado com muitas fontes geradoras e agentes que atuam
no setor, em 1997 foi criado a ANEEL que é um órgão
regulador ligado ao Ministério da Energia que regula todos os
agentes e o sistema, procura equilibrar preço justo para quem paga
e a remuneração adequada a quem presta o serviço.
Nas questões dos encargos setoriais e impostos a ação
do órgão é limitado. Outros atores que atuam no
sistema são: o Conselho Nacional de Política Energética
(CNPE); Congresso Nacional; Empresa de Pesquisa Energética (EPE);
Câmara de Comercialização de Energia Elétrica
(CCEE); Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).
Entre a década de 70 e 90 existia uma tarifa única em todos
os Estados, o que não premiava a eficiência das melhores
concessionárias, todas recebiam o mesmo valor, mas em 1993 foi
emitida uma lei que se procurava adequar estes desvios, e desde então
as tarifas atendem as peculiaridades de cada região (no. de consumidores,
Km de rede, tamanho de mercado, etc.).
A tarifa ideal é a que garante a energia com qualidade e assegura
aos prestadores de serviço ganhos suficientes para cobrir os custos
operacionais e remunerar os investimentos para expansão.
De
modo geral a conta de luz inclui três custos distintos:
GERAÇÃO DE ENERGIA + TRANSPORTE ATÉ AS CASAS + ENCARGOS
E TRIBUTOS
Como
média, em 2006 para uma conta de luz de R$100,00 teríamos
a seguinte divisão:
Compra de energia R$33,27
Transmissão R$5,96
Distribuição R$27,50
Encargos e Tributos R$33,27
Total da conta R$100,00
Mesmo
quando não se usa nada de energia se paga um valor básico
que objetiva manter o sistema em funcionamento e disponível (custo
de disponibilidade).
ENCARGOS SETORIAIS são definidos em leis aprovadas pelo Congresso
Nacional:
CCC conta de consumo de combustíveis subsidia a geração
térmica principalmente na região Norte (sistemas isolados).
RGR reserva global de reversão indeniza ativos vinculados à
concessão e fomenta a expansão do setor elétrico.
TFSEE Prover recursos para funcionamento da ANEEL.
CDE conta de desenvolvimento energético para fontes alternativas
e subsidiar tarifas para baixas rendas.
ESS encargos de serviços do sistema subsidiar manutenção
e confiabilidade do sistema elétrico nacional.
PROINFA subsidia fontes alternativas de energia.
P&D promover pesquisas científicas e tecnológicas
relacionadas à eletricidade e ao uso de recursos naturais.
ONS operador nacional do sistema prover recursos para funcionamento
do ONS (coordena e supervisiona a operação centralizada
do sistema brasileiro).
CFURH compensação financeira pelo uso de recursos hídricos.
Compensar
o uso de águas e terras produtivas para fins de energia elétrica.
ROYALTIES DE ITAIPU pagar energia gerada de acordo com o tratado Brasil/Paraguai.
Os TRIBUTOS são pagamentos efetuados ao setor público para
o governo desenvolver suas atividades. Nas contas de luz incidem impostos
Federais, Estaduais e Municipais. Entre os tributos federais estão
incluídos PIS/COFINS para manter programas voltados ao trabalhador
e programas sociais do governo federal.
O ICMS é um tributo estadual criado pela Constituição
Federal.
O CIP é um tributo Municipal previsto na Constituição
Federal para custear serviços de projeto, implantação,
expansão, operação e manutenção de
instalações de iluminação pública.
A concessionária apenas arrecada e transfere para a prefeitura.
A avaliação da qualidade de fornecimento e metas, gráfico
de consumo, alguns valores de impostos constam na NF (nota fiscal) recebida
em casa, é muito importante a leitura e interpretação
da mesma.
As perdas elétricas, furtos, fraudes e a inadimplência afetam
diretamente a tarifa que todos nós pagamos.
QUEM
PODE AGIR NO PROCESSO DE REDUÇÃO DE TARIFAS?
ANEEL
na otimização do sistema
Congresso Nacional na redução dos encargos setoriais e
tributos federais
Estado na diminuição do ICMS incidente
Município na diminuição do CIP (custeio da iluminação
pública)
Concessionárias na redução de perdas, uso de novas
tecnologias, fiscalização de medidores
Consumidor atitudes para redução de energia elétrica,
diminuição de furtos, fraudes, etc.
Fontes
: ANEEL Julho de 2007, Helio Creder, Mirador.
Paulo Gonçalves dos Santos
Engenheiro de Planejamento

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