MATÉRIA PUBLICADA DIA 12 DE OUTUBRO DE 2007

ARQUITETURA E O TEMPO

O tempo conta maravilhas sobre a arte de morar e os hábitos mais marcantes da família brasileira. No 2º
Império, acordava-se com o sol e dormia-se quando ele se punha. Depois das refeições ouvia-se música,
jogava-se, costurava-se. Era o tempo das vidraças planas e as casas se clareavam com os lampiões e
abriam-se para as visitas. No século 19, com a chegada da família real portuguesa, novos hábitos surgem. Com a elite do café a casa passa a ostentar uma profusão de objetos decorativos. Nos quartos os lavatórios com bacias e jarras e nos jardins mais ricos nasciam pequenos balneários
com banheiras e piscinas, brilho intenso e transparente nos móveis e tábuas largas nos pisos.
Na virada do século, a influência do Art Nouveau, com curvas inspiradas nas imagens de flora e fauna,
madeira dourada e piso de mosaico, cria uma concepção naturalista. Tudo era assimétrico, sinuoso com
requinte e delicadeza. Inspirada em modelos europeus, a nova moradia passou a ter áreas de estar, de repouso e serviço totalmente independentes, e algumas já recebiam os benefícios da água potável, do gás e da energia elétrica. O dinheiro do café permitiu ... Nos anos 20 e 30, o art nouveau se contrapõe a
geometrização das formas, influenciando artistas e arquitetos ligados à semana de arte moderna de 22.
Era a primeira fase do modernismo com o padrão art déco de linhas puras e sem ornamentos. Foi quando
na casa, a copa tornou-se o espaço de convívio por excelência, assim como os edifícios de apartamentos,
que se popularizaram na década de 40. Surgem então os facilitadores da vida doméstica; ferro elétrico, refrigerador, aspirador de pó, enceradeira e telefone, este último em destaque sobre a escrivaninha da sala.
Brasília acontece nos anos 50 e 60. Com o final da 2ª Guerra, cresceu a necessidade de substituir os
artigos normalmente importados da Europa e Estado Unidos. A proliferação de edifícios e residências modernas, com jardins projetados, telhados escondidos e garagens em destaque se misturam com as mansões neocoloniais, casa modernistas e déco. Destaque para a variedade de estilos dentro da casa, móveis pés de palito, cortinas estampadas e janelas de ferro. Nos anos 70 e 80, a casa se renova com o material sintético dos novos equipamentos e utensílios, e pinturas em grande escala de cores. Era a pop art,
com sua ironia e humor às imagens de consumo. A televisão ocupa lugar de destaque e se populariza,
assim como o computador doméstico. Surgem os apartamentos com varandas em condomínio fechado com
muito verde, total segurança e várias vagas nas garagens. Os destaques na sala eram peças em vidro. As
madeiras aparecem como opção na diversificada produção do móvel brasileiro.
Surge então a casa contemporânea. Nesta virada de século, o melhor do lazer acontece dentro de casa,
com imagem e som de cinema. Hoje, destacamos a valorização do gosto pessoal, preocupação com o conforto, ambientes limpos, mistura de estilos, materiais, texturas e cores, gerando ambientações contemporâneas destinadas ao prazer de estar. Uma grande familiaridade com o vidro, alumínio e materiais sintéticos em geral, sem deixar de lado, é claro, a madeira. No quesito cor, ela se mescla, das cítricas às naturais, tons pastel e vibrantes, preto e prata. A pluralidade habita a casa contemporânea. É o fim da ditadura de ter que seguir a tendência, as pessoas amadureceram e buscam o que as façam felizes.


Arquiteta
Mariinha Provenza

 

  Veja mais no site: fotos | televisão | trailers de filmes | clipes de músicas | rodovia ao vivo
 
   
Torne a AEAI sua página inicial Fale Conosco Anuncie
© 2007 - AEAI - Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Indaiatuba. Todos os direitos reservados.
Saints tickets
webdesign by: Mundo Digital: (19) 3816 7531