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MATÉRIA PUBLICADA
DIA 09 DE NOVEMBRO DE 2007
ALVENARIA
ESTRUTURAL
Seja pela
redução de etapas e a maior racionalização,
seja pela economia, a utilização de alvenaria com função
estrutural é cada vez mais comum em obras de diferentes perfis
e dimensões.
As peças chaves desse sistema construtivo são os blocos
que acumulam a função de vedação e estrutura.
Por isso, nada mais natural que haja um controle rigoroso sobre a especificação,
fornecimento e utilização desse componente. Arestas irregulares,
cantos quebrados e dimensões inconstantes prenunciam retrabalho
e disperdício. Além disso, a compactação inadequada
e a falta de homogeneidade comprometem perigosamente a resistência
do bloco e , por conseqüência, o desempenho de toda a parede.
Dessa forma, seja cerâmico, de concreto ou de sílico-calcário,
a aquisição de unidades de alvenaria estrutural exige atenção
a características físicas do material. Entende-se por um
componente da alvenaria uma
entidade básica, ou seja, algo que compõe os elementos que,
por sua vez, comporão a estrutura. Os componentes principais da
alvenaria estrutural são: blocos, ou unidades; argamassa; graute
e armadura. Já
os elementos são uma parte suficientemente elaborada da estrutura,
sendo formados por pelo menos dois
dos componentes anteriormente citados. Como exemplo de elementos podem
ser citados: paredes, pilares,
vergas , etc. Nos casos usuais, o acréscimo de custo para a produção
da alvenaria estrutural compensa com folga a economia que se obtém
com a retirada dos pilares e vigas. Entretanto, é necessário
que se atente para alguns detalhes importantes para que a situação
não se inverta, passando a ser a alvenaria um processo mais oneroso
para a produção da estrutura. Esses detalhes dizem respeito
a determinadas características da edificação que
se pretende construir, pois não é correto se considerar
que um sistema construtivo seja considerado adequado a qualquer edifício.
Para maior clareza, apresentam-se a seguir as três características
mais importantes que devem ser levadas em conta para se decidir pelo sistema
construtivo mais adequado.
a) Altura da edificação
No caso da altura, considerando-se os parâmetros atuais no Brasil,
pode-se afirmar a alvenaria estrutural
é adequada a edifícios de no máximo 15 ou 16 pavimentos.
Para estruturas com um número de pavimentos
acima desse limite, a resistência à compressão dos
blocos encontrados no mercado não permite que a
obra seja executada sem um esquema de grauteamento generalizado, o que
prejudica muito a economia
b) Arranjo arquitetônico
É claro que as afirmações feitas no item anterior
referem-se a edifícios usuais. Para arranjos arquitetônicos
que fujam desses padrões usuais, a situação pode
ser um pouco melhor, ou bem pior. Nesse caso é importante se considerar
a densidade de paredes estruturais por m² de pavimento. Um valor
indicativo
razoável é que haja de 0,5 a 0,7 m de paredes estruturais
por m² de pavimento
c) Tipo de uso
Pelo que se menciona no item anterior, é importante ressaltar que
para edifícios comerciais ou residenciais
de alto padrão, onde seja necessária a utilização
de vãos grandes, esse sistema construtivo normalmente
não é adequado. A Alvenaria Estrutural é muito mais
adequada a edifícios de padrão médio ou baixo, onde
os ambientes, e também os vãos, são relativamente
pequenos. Em especial para edifícios comerciais, é desaconselhável
o uso indiscriminado da alvenaria estrutural. Nesse tipo de edificação
é muito usual a necessidade de um rearranjo das paredes internas
de forma a acomodar empresas de diversos portes. A adoção
de alvenarias estruturais para esses casos seria inconveniente, pois essa
flexibilidade deixa de existir. Pode-se inclusive considerar que sua adoção
seja perigosa, pois com o tempo é provável que proprietários
realizem modificações sem estarem conscientes dos riscos
que correm. Principais Pontos Positivos do Sistema: a) Economia de fôrmas
Quando existem, as fôrmas se limitam às necessárias
para a concretagem das lajes b) Redução significativa nos
revestimentos Por se utilizar blocos de qualidade controlada e pelo controle
maior na execução, a redução dos revestimentos
é muito significativa. Usualmente o revestimento interno é
feito com uma camada de gesso aplicada
diretamente sobre a superfície dos blocos. c) Redução
nos desperdícios de material e mão de obra
O fato de as paredes não admitirem intervenções posteriores
significativas, como rasgos ou aberturas
para a colocação de intalações hidráulicas
e elétricas, é uma importante causa da eliminação
de desperdícios. d) Redução do número de especialidades
Deixam de ser necessários profissionais como armadores e carpinteiros.
e) Flexibilidade no ritmo de execução da obra
Se as lajes forem pré-moldadas, o ritmo da obra estará desvinculado
do tempo de cura que deve ser
respeitado no caso das peças de concreto armado. Principais Pontos
Negativos do Sistema:
a) Dificuldade de se adaptar arquitetura para um novo uso Fazendo as paredes
parte da estrutura, obviamente não existe possibilidade de adaptações
significativas no arranjo arquitetônico. Estudos realizados demonstram
que ao longo de sua vida útil uma edificação tende
a sofrer mudanças para se adaptar a novas necessidades de seus
usuários. No caso da alvenaria isso não só é
inconveniente como tecnicamente impossível na grande maioria dos
casos. b) Interferência entre projetos de arquitetura/estruturas/instalações
A Interferência entre os projetos é muito grande, quando
se trata de uma obra em alvenaria estrutural.
A manutenção do módulo afeta de forma direta o projeto
arquitetônico e a impossibilidade de se
furar paredes, sem um controle rigoroso desses furos, condiciona de forma
marcante os projetos de
intalações hidráulicas e elétricas c) Necessidade
de uma mão-de-obra bem qualificada A alvenaria estrutural exige
uma mão-de-obra qualificada e apta a fazer uso de instrumentos
adequados para sua execução. Isso significa treinamento
prévio da equipe contratada para sua execução. Caso
contrário, os riscos de falhas que comprometem a segurança
da edificação crescem sensivelmente.
André Von Ah
Engenheiro Civil

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