 |

MATÉRIA PUBLICADA
DIA 08 DE FEVEREIRO DE 2008
CUSTO
DO M2 CONTRUÍDO
Na primeira fase de um projeto a primeira pergunta que vem a mente da
maioria das pessoas , quando deseja construir uma casa, galpão,
empresa, etc. é : Quanto custa o m² de área construída
para
meu imóvel? Às vezes ficava preocupado em ser mal entendido,
principalmente porque a pergunta sempre
era uma das primeiras. Se fornecia um valor corria o risco do investidor
gravar este numero para sempre, se informava que não poderia fornecer
o valor no momento pois dependia de um cálculo mais preciso, poderia
ser interpretado que precisava primeiro fechar o negócio para depois
calcular. O método mais simples e usual é, multiplicase
a quantidade de m² a ser construído pelo valor do custo do
m² e simplesmente está tudo resolvido, se estiver dentro das
possibilidades financeiras do investidor, erroneamente começa-
se o projeto, começa-se a contratar e gastar. Na minha opinião
este tipo de cálculo pode ser feito somente para termos uma noção
de grandeza na primeira fase do projeto, se extrapolar muito a verba disponível,
devemos procurar outras alternativas. Para se fazer cálculo inicial
podemos pedir auxílio a profissionais como engenheiros civis, arquitetos,
corretores que estão sempre acompanhando o mercado e podem informar
rapidamente os custos por m²; existem ainda, revistas especializadas
que trazem valores inclusive por
regiões, índices, etc. Estes cálculos publicados
em revistas especializadas, e normalmente acompanhados, têm um projeto
base, definido pelo emissor dos cálculos, e como os produtos e
quantidades são os mesmos, só são atualizados os
preços mensalmente. Outro cuidado que se deve ter com estes cálculos,
é que neles, normalmente, não estão incluídos
muros, calçadas, administração e se o leitor não
incluí-los, assim como, jardins, decorações, etc.;
o custo por m² do total da obra, que nos interessa, estaria incompleto.
Portanto, esses números podem ser utilizados, mas somente nas fases
iniciais do projeto. Numa segunda fase do nosso projeto, antes de começar
a investir na construção, devemos fazer um cálculo
mais detalhado com base no projeto e os materiais que pretendemos utilizar
na construção. Estes cálculos podem ser efetuados
com engenheiros civis ou arquitetos com prática nesta execução,
programas de computador, empresas especializadas. Esses cálculos
são necessários e obriga o investidor a detalhar melhor
o que quer, exemplos:
- Quais são os serviços iniciais necessários (estudos
topográficos; projeto estrutural, elétrico, hidráulico,
decoração, etc. ; paisagismo e outros) - Quais os serviços
preliminares (demolições,
despesas legais, impostos, licenças, etc.) - Quais as instalações
provisórias necessárias
(Tapumes, barracões, proteções, instalações
provisórias, bombas, etc.)
- Qual é o tipo de fundação. - Qual o tipo de alvenaria,
esquadrias, ferragens, vidros e plásticos. - Qual o tipo de estrutura
e cobertura do telhado. - Qual é o tipo de piso (frio, madeira
e outros). - Qual o tipo de revestimento interno e externo. - Instalações
de água, esgoto, gás. - Tipo de aquecimento (solar, gás,
elétrico). - Que tipos de portas, janelas (aço, madeira,
PVC, etc.). - Quais os tipos de mão de obra precisamos. - Etc.
Se o leitor desejar se aprofundar no assunto existem muitos livros e normas
sobre o assunto
e quais itens a considerar. Um exemplo em que estes cálculos precisam
ser mais rigorosos é quando
precisamos financiamento bancário, muitos bancos exigem. Muitas
vezes a decisão de usar um tipo ou
outro de material exige um cálculo de custos em separado das vantagens
e desvantagens de cada
um sob a ótica técnica e financeira. Uma outra fase importante
é acompanhar os custos programados na fase anterior durante a implantação
do projeto, com certeza teremos diferença para mais ou para menos
em cada item definido e calculado. Estas variações de custos
decorrem de variações de preços, devido às
ofertas e demandas dos produtos; logística prevista x real; alteração
de premissas; imprevistos; algumas vezes os produtos previamente escolhidos
saem de linha de produção na empresa fornecedora; avaliação
errada do trabalho a ser executado; custos iniciais excessivamente otimistas
(a idéia inicial é sempre fazer o mais barato possível,
mas invariavelmente quando vemos os produtos melhores e mais caros, escolhemos
este último). Não conheço um projeto que acompanhei
que fosse igual ao planejado e igual a qualquer
outro antecessor, os custos variam continuamente, itens são acrescentados,
suprimidos e outros
alterados. Mais importante do que acompanhar é atuar nos desvios,
com o fim de manter o projeto no
orçamento global. Entre as vantagens de se fazer um orçamento
detalhado podemos citar:
. Possibilidade de acompanhamento dos materiais e serviços;
. Determinação e acompanhamento da mão de obra e
material por etapas;
. Cronograma físico e financeiro da obra;
. Avaliação da viabilidade econômica do empreendimento.
. Justificar custos através de técnicas científicas
aceitas financiadores e stakeholders.
Devemos também estar preparados para abortar (cancelar) o projeto
se o objetivo de custo
inicial não for possível de atingirmos. Este fato normalmente
acontece quando o objetivo inicial
é comercial e o retorno do valor investido já não
mais compensa.
Paulo Gonçalves dos Santos
Engenheiro de planejamento

|