MATÉRIA PUBLICADA DIA 05 DE JUNHO DE 2009

OS CAMINHOS PARA AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO PREPARAREM MELHOR OS ENGENHEIROS PARA OS DESAFIOS DA GLOBALIZAÇÃO


A capacidade de atuar globalmente se tornou uma exigência para os graduados em engenharia, o que
requer novas habilidades do profissional e, conseqüentemente, uma mudança nas abordagens dos programas de ensino. A produção está hoje, em grande parte, globalizada. Nada mais comum do que uma máquina-ferramenta, por exemplo, ser projetada e desenvolvida nos Estados Unidos, fabricada na China e vendida no Brasil. Ou percorrer o caminho inverso. Mas todas as fases desse processo exigem a intervenção da engenharia, inclusive a da comercialização, se pensarmos na importância que a assistência técnica pósvenda adquiriu dentro da indústria moderna. Esta flexibilidade tem que acontecer antes do exercício da profissão, tem de ser inerente à formação do engenheiro, para lhe dar liberdade de escolha e
manter aberto o seu horizonte. As universidades deverão superar os quatro grandes desafios: o primeiro, tornar a competência global uma qualificação; segundo, dar prioridade para a mobilidade transnacional dos estudantes; o terceiro estreitar as relações com a indústria para vincular o ensino à prática profissional globalizada; e, finalmente, empreender esforços para uma fundamentação teórica dos modelos de aprendizagem, dos processos organizacionais e dos métodos de gerenciamento dos programas
focados na competência global. Há um fator negativo adicional cuja origem está na própria burocracia
das universidades: faltam estudos que quantifiquem a vantagem que traz para o estudante de engenharia a experiência internacional. Isso dificulta definir se essa experiência deve ser desenvolvida na graduação ou no mestrado, que tipo de currículo deve conter, etc. Embora seja quase automático pensar que o mais natural seria, para um engenheiro globalizado, trabalhar em diferentes locais, inclusive em outros países, em vários momentos de sua carreira, isto não significa que a globalização da engenharia seja apenas isso – o engenheiro enquanto uma espécie de nômade. Há pessoas que não suportam viajar, e outras que até gostam, mas preferem criar raízes. A formação globalizada é a disseminação dos conhecimentos globalizados- e não exatamente a necessidade de o engenheiro ou do estudante ir atrás desses conhecimentos em um local específico. Até porque isso pressuporia a centralização dos conhecimentos
em certos lugares e não em outros, o que vai contra o espírito da globalização.


Flavia Albim Ribeiro
Engenheira Civil

 

 

 

   
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